Entre 2014 e 2018, as vítimas de feminicídios consumados cresceram 54,7%, totalizando 469 mortes de mulheres em 5 anos, com uma média de 94 vítimas por ano, 46,9 por semestre e 7,8 por mês.

Nesse período, a taxa média de feminicídios consumados por 100.000 mulheres foi de 1,6. A maior taxa foi verificada em 2018, 2 mulheres mortas para cada 100.000 mulheres, o que representou um aumento de 53,1% em relação a 2014, quando a taxa era 1,3 feminicídios consumados/100.000 mulheres.

As tentativas de feminicídio aumentaram 24,1%, alcançando um total de 1.537 vítimas em 5 anos, com média de 307,4 registros de vítimas por ano, 153,5 por semestre e 25,6 por mês.

A taxa média de tentativas de feminicídios, entre 2014-18 foi de 5,3 vítimas para cada 100.000 mulheres. A maior taxa foi verificada em 2018, 6,1 tentativas para cada 100.000 mulheres, o que representou um aumento de 21,8% em relação a 2014, quando a taxa era 5 vítimas de tentativas/100.000 mulheres.

Feminicídios consumados e tentativas de feminicídios, população total e de mulheres no Rio Grande do Sul - 2014-18

Fonte Dados Brutos: SSP-RS, 2020. Dados atualizados em 09/01/2020.

Em 2019 foram registrados 100 feminicídios consumados, com uma média de 8,3 mulheres mortas por mês. As tentativas chegaram a 359 vítimas, com uma média de 29,9 vítimas por mês, alcançando uma média mensal similar a registrada em 2018.

Tendências 2014-19

Municípios: os feminicídios apresentaram uma tendência de maior concentração nos municípios de porte pequeno, com população entre 10 mil e 50 mil habitantes, e nos municípios de porte médio a grande, com 100 mil ou mais habitantes, destacando–se os municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre: Alvorada, Viamão, Gravataí e Porto Alegre; o município de Caxias do Sul, na Região Metropolitana da Serra Gaúcha e Pelotas, município da Aglomeração Urbana do Sul, com maior número absoluto de mortes de mulheres no período.

Messorregiões: a maior concentração das mortes de mulheres e das tentativas de feminicídios no período foi na Metropolitana de Porto Alegre e na Noroeste Rio–Grandense, que, juntas, alcançaram 65,1% dos casos no total de casos entre 2014-18. Conforme as estimativas populacionais para 2018, nessas mesorregiões residiam em torno de 63,3% da população feminina do Estado.

Microrregiões: Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas registraram em torno da metade dos feminicídios consumados e das tentativas de feminicídio no RS, no período 2014–18, e abrangiam 46,6% da população feminina do Estado.

Coredes: 60% dos feminicídios consumados, acumulados no período 2014–18, foram registrados em 5, entre os 28 Coredes do Estado: Metropolitano Delta do Jacuí, o Vale do Rio dos Sinos, o Sul, o Serra e o Fronteira Oeste.

Regiões Metropolitanas e Aglomerações Urbanas: essas áreas com maior intensidade na urbanização, registraram 48,5% dos feminicídios consumados e 60,7% das tentativas de feminicídio no acumulado do período 2014–18.

No período de 2014 a 2018, foi observada uma tendência de aumento de feminicídios, assim como, o ano de 2019, de modo geral, refletiu as médias observadas nos semestres dos últimos cinco anos.

Em relação à concentração dos crimes no ano de 2019, 51,3% dos consumados foram em municípios do interior do Estado, já para as tentativas, a concentração foi nas áreas com maior intensidade na urbanização, com 59,6% dos crimes. A hipótese é que nessas últimas áreas haja um maior acesso as redes de proteção à mulher.